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Cartilha de Segurança para Internet

    Parte 6. Spam
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Nesta seção:

1. Spam

    1.1. Quais são os problemas que o spam pode causar para um usuário da Internet?

    1.2. Quais são os problemas que o spam pode causar para os provedores de acesso, backbones e empresas?

    1.3. Como os spammers conseguem endereços de e-mail ?

    1.4. Como os spammers confirmam que um endereço de e-mail existe?

    1.5. Como fazer para filtrar os e-mails de modo a barrar o recebimento de spams ?

    1.6. Para quem devo reclamar quando receber um spam ?

    1.7. Que informações devo incluir numa reclamação de spam ?

    1.8. O que devo fazer ao identificar em um spam um caso de phishing/scam ?






 

1. Spam

Spam é o termo usado para se referir aos e-mails não solicitados, que geralmente são enviados para um grande número de pessoas. Quando o conteúdo é exclusivamente comercial, este tipo de mensagem também é referenciada como UCE (do inglês Unsolicited Commercial E-mail ).

1.1. Quais são os problemas que o spam pode causar para um usuário da Internet?

Os usuários do serviço de correio eletrônico podem ser afetados de diversas formas. Alguns exemplos são:

Não recebimento de e-mails . Boa parte dos provedores de Internet limita o tamanho da caixa postal do usuário no seu servidor. Caso o número de spams recebidos seja muito grande o usuário corre o risco de ter sua caixa postal lotada com mensagens não solicitadas. Se isto ocorrer, o usuário não conseguirá mais receber e-mails e, até que possa liberar espaço em sua caixa postal, todas as mensagens recebidas serão devolvidas ao remetente. O usuário também pode deixar de receber e-mails em casos onde estejam sendo utilizadas regras anti- spam ineficientes, por exemplo, classificando como spam mensagens legítimas.

Gasto desnecessário de tempo. Para cada spam recebido, o usuário necessita gastar um determinado tempo para ler, identificar o e-mail como spam e removê-lo da caixa postal.

Aumento de custos. Independentemente do tipo de acesso a Internet utilizado, quem paga a conta pelo envio do spam é quem o recebe. Por exemplo, para um usuário que utiliza acesso discado a Internet, cada spam representa alguns segundos a mais de ligação que ele estará pagando.

Perda de produtividade. Para quem utiliza o e-mail como uma ferramenta de trabalho, o recebimento de spams aumenta o tempo dedicado à tarefa de leitura de e-mails , além de existir a chance de mensagens importantes não serem lidas, serem lidas com atraso ou apagadas por engano.

Conteúdo impróprio ou ofensivo. Como a maior parte dos spams são enviados para conjuntos aleatórios de endereços de e-mail , é bem provável que o usuário receba mensagens com conteúdo que julgue impróprio ou ofensivo.

Prejuízos financeiros causados por fraude. O spam tem sido amplamente utilizado como veículo para disseminar esquemas fraudulentos, que tentam induzir o usuário a acessar páginas clonadas de instituições financeiras ou a instalar programas maliciosos projetados para furtar dados pessoais e financeiros. Este tipo de spam é conhecido como phishing/scam. O usuário pode sofrer grandes prejuízos financeiros, caso forneça as informações ou execute as instruções solicitadas neste tipo de mensagem fraudulenta.

1.2. Quais são os problemas que o spam pode causar para os provedores de acesso, backbones e empresas?

Para as empresas e provedores os problemas são inúmeros e, muitas vezes, o custo adicional causado pelo spam é transferido para a conta a ser paga pelos usuários.

Alguns dos problemas sentidos pelos provedores e empresas são:

Impacto na banda. Para as empresas e provedores o volume de tráfego gerado por causa de spams os obriga a aumentar a capacidade de seus links de conexão com a Internet. Como o custo dos links é alto, isto diminui os lucros do provedor e muitas vezes pode refletir no aumento dos custos para o usuário.

Má utilização dos servidores. Os servidores de e-mail dedicam boa parte do seu tempo de processamento para tratar das mensagens não solicitadas. Além disso, o espaço em disco ocupado por mensagens não solicitadas enviadas para um grande número de usuários é considerável.

Inclusão em listas de bloqueio. O provedor que tenha usuários envolvidos em casos de spam pode ter sua rede incluída em listas de bloqueio. Esta inclusão pode prejudicar o recebimento de e-mails por parte de seus usuários e ocasionar a perda de clientes.

Investimento em pessoal e equipamentos. Para lidar com todos os problemas gerados pelo spam , os provedores necessitam contratar mais técnicos especializados, comprar equipamentos e acrescentar sistemas de filtragem de spam . Como conseqüência os custos do provedor aumentam.

1.3. Como os spammers conseguem endereços de e-mail ?

Os spammers utilizam diversas formas para obter endereços de e-mail , desde a compra de bancos de dados com e-mails variados, até a produção de suas próprias listas de e-mails obtidos via programas maliciosos, harvesting e ataques de dicionário.

A obtenção através de programas maliciosos é possível devido à grande ligação entre os spammers e aqueles que desenvolvem estes programas. Um programa malicioso, muitas vezes, é projetado também para varrer o computador onde foi instalado em busca de endereços de e-mail , por exemplo, na lista de endereços ( address book ) do usuário. Os endereços de e-mail coletados são, então, repassados para os spammers .

Já o harvesting é uma técnica utilizada por spammers que consiste em varrer páginas Web , arquivos de listas de discussão, entre outros, em busca de endereços de e-mail .

Muitas vezes, os endereços de e-mail aparecem de forma ofuscada. Exemplos são as páginas Web ou listas de discussão que apresentam os endereços de e-mail com o " @ " substituído por " (at) " e os pontos substituídos pela palavra " dot ". Vale lembrar, entretanto, que os programas que implementam as técnicas de harvesting utilizadas pelos spammers podem prever estas substituições.

Nos ataques de dicionário, por sua vez, o spammer forma endereços de e-mail a partir de listas de nomes de pessoas, de palavras presentes em dicionários e/ou da combinação de caracteres alfanuméricos.

1.4. Como os spammers confirmam que um endereço de e-mail existe?

Os spammers utilizam vários artifícios para confirmar a existência de endereços de e-mail . Um destes artifícios consiste em enviar mensagens para os endereços formados em ataques de dicionários e, com base nas respostas enviadas pelo servidores de e-mail que receberam as mensagens, identificar quais endereços são válidos e quais não são.

Outro artifício largamente utilizado é a inclusão no spam de um suposto mecanismo para a remoção da lista de e-mails , que pode ser um link ou endereço de e-mail . Ao receberem uma solicitação de remoção, os spammers confirmam que o endereço de e-mail é válido e realmente alguém o utiliza.

Uma outra forma para verificar endereços é o Web bug . Web bug é uma imagem, normalmente muito pequena e invisível, que faz parte de uma página Web ou de uma mensagem de e-mail , e que é projetada para monitorar quem está acessando esta página Web ou mensagem de e-mail .

Quando o Web bug é visualizado, diversas informações são armazenadas no servidor onde está hospedado, tais como: o endereço IP do computador que o acessou, a URL completa da imagem que corresponde ao Web bug , o horário em que foi visualizado, etc.

Por exemplo, um spammer poderia utilizar Web bugs para a validação de endereços de e-mail da seguinte forma:

  • criando a imagem do Web bug com o nome do endereço de e-mail que quer validar; Exemplo: fulano.png
  • hospedando o Web bug em um servidor onde tenha acesso a informações que serão geradas quando o Web bug for visualizado;
  • criando uma mensagem de e-mail no formato HTML, que tenha em seu conteúdo a URL completa da imagem correspondente ao Web bug ; Exemplo: http://www.dominio-do-spammer.example.org/fulano.png
  • enviando a mensagem criada para o endereço de e-mail a ser validado. Exemplo: fulano@dominio-do-fulano.example.org

Quando o usuário "fulano" abre a mensagem enviada pelo spammer em seu programa leitor de e-mails , o Web bug é acessado e o spammer tem a confirmação de que o endereço de e-mail do "fulano" é válido.

Para impedir que este artifício tenha sucesso e evitar que um endereço de e-mail seja validado por um spammer , é possível desabilitar no programa leitor de e-mails o modo de visualização no formato HTML.

1.5. Como fazer para filtrar os e-mails de modo a barrar o recebimento de spams ?

Existem basicamente dois tipos de software que podem ser utilizados para barrar spams : aqueles que são colocados nos servidores, e que filtram os e-mails antes que cheguem até o usuário, e aqueles que são instalados nos computadores dos usuários, que filtram os e-mails com base em regras individuais de cada usuário.

Podem ser encontradas referências para diversas ferramentas de filtragem de e-mails nas páginas abaixo:

Também é interessante consultar seu provedor de acesso, ou o administrador de sua rede, para verificar se existe algum recurso anti- spam disponível e como utilizá-lo.

1.6. Para quem devo reclamar quando receber um spam ?

Deve-se reclamar de spams para os responsáveis pela rede de onde partiu a mensagem. Se esta rede possuir uma política de uso aceitável, a pessoa que enviou o spam pode receber as penalidades que nela estão previstas.

Muitas vezes, porém, é difícil conhecer a real origem do spam . Os spammers costumam enviar suas mensagens através de máquinas mal configuradas, que permitem que terceiros as utilizem para enviar os e-mails . Se isto ocorrer, a reclamação para a rede de origem do spam servirá para alertar os seus responsáveis dos problemas com suas máquinas.

Além de enviar a reclamação para os responsáveis pela rede de onde saiu a mensagem, procure manter o e-mail mail-abuse@cert.br na cópia de reclamações de spam . Deste modo, o CERT.br pode manter dados estatísticos sobre a incidência e origem de spams no Brasil e, também, identificar máquinas mal configuradas que estejam sendo abusadas por spammers .

Vale comentar que recomenda-se não responder a um spam ou enviar uma mensagem solicitando a remoção da lista de e-mails . Geralmente, este é um dos métodos que os spammers utilizam para confirmar que um endereço de e-mail é válido e realmente alguém o utiliza.

 

1.7. Que informações devo incluir numa reclamação de spam ?

Para que os responsáveis por uma rede possam identificar a origem de um spam é necessário que seja enviada a mensagem recebida acompanhada do seu cabeçalho completo ( header ).

É no cabeçalho de uma mensagem que estão as informações sobre o endereço IP de origem da mensagem, por quais servidores de e-mail a mensagem passou, entre outras.

Informações sobre como obter os cabeçalhos de mensagens podem ser encontradas em http://www.antispam.org.br/header.cfml .

Informações sobre como entender os diversos campos normalmente encontrados nos cabeçalhos de e-mails estão disponíveis nas páginas abaixo (em inglês):

1.8. O que devo fazer ao identificar em um spam um caso de phishing/scam ?

Ao identificar um spam como sendo um caso de phishing/scam , você deve enviar uma reclamação para os responsáveis pela rede de onde partiu a mensagem e para os responsáveis pelo site onde o esquema fraudulento está sendo hospedado 1 . A reclamação deve conter não só o cabeçalho, mas também o conteúdo completo da mensagem recebida.

Dicas sobre como obter o conteúdo completo de mensagens em diversos programas leitores de e-mails estão disponíveis em http://www.spamcop.net/fom-serve/cache/19.cfml (em inglês).

Além de enviar a reclamação para os responsáveis pela rede de onde saiu a mensagem e pelo site onde o esquema fraudulento está sendo hospedado, procure manter o e-mail cert@cert.br na cópia da reclamação. Deste modo, o CERT.br pode manter dados estatísticos sobre a incidência e origem de fraudes no Brasil e, também, repassar a reclamação para os contatos dos responsáveis que, por ventura, não tenham sido identificados.

É muito importante incluir o conteúdo completo da mensagem na reclamação, pois só assim será possível identificar o site utilizado para hospedar o esquema fraudulento, que pode ser uma página clonada de uma instituição financeira, um arquivo malicioso para furtar dados pessoais e financeiros de usuários, entre outros.




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